HOMILIA DO 22º DOMINGO DO TEMPO COMUM

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“A sedução que salva”

Minha alma tem sede

O profeta Jeremias nos faz uma revelação do mais profundo de nosso coração. Traduz em palavras o que o coração diz. Como um forte profeta de Deus que quer salvar, sente em seu corpo a força da atração Divina que chama de sedução. Passando por sofrimentos causados por sua profissão, decide não falar mais de Deus nem estar a seu serviço para anunciar e denunciar. Suas denúncias lhe acarretam grandes humilhações e sofrimentos. Mas Deus não desiste dele. O profeta não “escapa” do Deus que escolheu: “Senti então, dentro de mim um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo. Desfaleci, sem forças para suportar” (Jr 20,9). Essa expressão é retomada pelo salmo: “Minha alma tem sede de Vós, minha carne também Vos deseja como terra sedenta e sem água!” (Sl 62). Sem essa sede de Deus, jamais poderemos viver a fé cristã. Esse espiritualismo não envolve a vida tapeia nossa realidade espiritual. Somente o desejo de Deus pode nos levar a tomar atitudes fortes de entrega até mesmo da própria vida. Esse desejo não é um simples “eu gostaria tanto de...”. O salmista reza esse sentimento: “Como a corsa suspira pelas águas correntes” (Sl 42,1). Não se trata de um belo animal. É o animal louco de sede que busca a água. A vida espiritual está nesse desejo. Assim é o coração de quem ama Deus.

Tomando a cruz

Esse é o mesmo desejo que leva a assumir o seguimento de Jesus com todas as forças do coração: “Se alguém quer Me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me” (Mt, 16,24). Jesus sente-Se impulsionado para seguir um caminho que O levará a sofrer a rejeição e sofrimentos. Uma certeza interior O fascina rumo à ressurreição. E não admite que seja interrompido pelo desejo humano que não quer sofrer. Quem O tenta é um Satanás, pedra de tropeço. Responde duro a Pedro: “Tu não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas humanas” (Mt 16,23). Há pouco havia dito que Pedro professara a fé por uma revelação de Deus. E lhe deu as chaves do Reino dos Céus (Mt 16,17.19). Agora o chama de Satanás. Com a fé não nos enganamos nesse caminho de seguimento de Jesus que supõe a cruz. O desejo que nos veio da sedução tem que ir até o fim. No futuro há sempre a ressurreição. É preciso saber ir perdendo a vida em nossas escolhas para encontrar a verdadeira vida que está acima de qualquer outra sedução. “Que adianta ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida”? O caminho da cruz conduz à vida. Vemos aí o erro de quem põe de lado a cruz para viver só do bem-estar, do prazer e do poder. Foi envolvido por Satanás, a serpente.

Temos outro modelo

A grande atração que Deus exerce sobre nós e o desejo que nos leva a buscá-Lo não são nem distantes nem fantasiosos. É uma opção que envolve o concreto da vida, como lemos na carta aos Romanos: “Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir a vontade de Deus” (Rm 12,2). Mudando o modo de pensar podemos assumir a proposta de Jesus e fazer dela nosso seguimento. “Nossa alma será saciada, como cantamos no salmo, como em grande banquete de festa” (Sl 62). Nossa espiritualidade se alimentará no Espírito e na Verdade. Paulo nos oferece mais um pensamento forte: “Este é vosso culto espiritual”. Louvar e glorificar a Deus nós o fazemos em atitudes de vida não em palavreado. Essa reflexão nos leva a compreender o culto cristão que se realiza no coração e vai ao concreto da vida.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira

Vigário Paroquial

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