discipulos

Lendo os evangelhos sempre vejo João dizer: o discípulo que Jesus amava! Não existe uma discriminação? Por que não se fala o mesmo dos outros?

João, quando fala de si no seu evangelho não cita seu nome, mas simplesmente aquilo que o identificava no grupo dos apóstolos: aquele que Jesus amava. Não amava os outros? Jesus dava a cada um o tratamento que lhe era especial. Amava cada um do modo que cada um queria ser amado.

A discriminação é desprezar um pelo outro. Por exemplo: Jesus tinha um modo de tratar Judas que os outros não sabiam. Havia coisas que os outros não entendiam. Basta ver a última ceia quando Judas sai da sala.

Com João, o tratamento era conhecido de todos: João era jovem (quantos anos? 15, 18?). Era cheio de vida e entusiasmo. Era bravo, tanto que Jesus chamava-o, como também a seu irmão Tiago, de Boanerges, filhos do trovão. Numa cidade samaritana onde não queriam receber Jesus, eles pediram para fazer descer fogo do céu sobre a cidade. Parece-nos ouvir Jesus dizer a João: Joãozinho, calma! devagar!

João era como que a sombra de Jesus. Estava em todas. Nos momentos mais selecionados de Jesus, quando não queria ninguém por perto, levava consigo Pedro, Tiago e João. Testemunha escolhida, querida, amada. João bebia as palavras de Jesus e mais as palavras, a própria pessoa de Jesus.

Quando escreve sua carta ele diz: “o que era desde o princípio, o que ouvimos o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida, nós a vimos e lhes damos testemunho e vos anunciamos esta Vida eterna…o que vimos e ouvimos nós vo-lo anunciamos para que estejais em comunhão conosco” (1 Jo.1.1-3). E está ali, ao pé da Cruz tocando o sangue, expressão do amor: “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao extremo do amor” (Jo 13,1).

Está sempre ao lado. Na ceia pode recostar a cabeça no peito de Jesus e ouvir sobre o traidor. Era uma proximidade palpável (aquele que nossas mãos tocaram). João pegava toda a mensagem de Jesus como que através do contato pessoal. É ele que vai falar tanto do amor. Ele viu este amor em Jesus, conheceu Jesus como o Amor do Pai, comunhão com o Pai. E se sentiu envolvido por este amor.

Para ele, existir era ser amado por Jesus. Sua identidade era o amor de Jesus que estava nele. Quando Madalena anuncia a ressurreição ele corre ao túmulo. Ele o reconhecia: na pesca milagrosa ele diz: “é o Senhor!” Este amor que era sua identidade torna-se sua pregação: “filhinhos, não amemos só com palavras” (1 Jo.18). Amar é permanecer nele.

No quadro da Semana Santa não existe somente o mal. Existe o amor de tantos por Jesus. Somos chamados a partilhar!

Posted by admin On outubro - 28 - 2009 Destaque

Jesus

A pessoa humana foi criada à imagem de Deus, como nos relatam os primeiros capítulos da Bíblia. Tanto o homem como a mulher foram feitos à imagem e semelhança de Deus. É um grande dom.

No segundo capítulo do Gênesis nós vemos Deus como o oleiro que faz o homem do barro e de sua costela, faz a mulher. Este texto parece uma lenda, mas não deixa de trazer a profunda revelação sobre a pessoa humana: Ela foi criada por Deus na fragilidade, feita do barro, pertencente à terra, mas tem a dimensão divina de sua imagem e semelhança de Deus.

Semelhança divina e fragilidade são dois aspectos importantes do ser humano. Ser imagem de Deus eleva a pessoa acima de toda a criação. Isso não faz a criação menor, mas a eleva, pois um ser criado (o homem) está unido ao Criador. O homem foi colocado no Paraíso para cultivá-lo e guardá-lo (Gn 2,15).

A Bíblia usa o conceito dominador, mas podemos entender como servidor que conduz a criação a sua realização. A espiritualidade deve trabalhar por fazer descobrir em cada um a imagem de Deus. Ser imagem e semelhança explica a origem e o destino do homem e da mulher, razão de toda a história da salvação.

A partir do conceito de imagem entendemos a vida nova que recebemos de Cristo. Este conceito reflete uma proximidade com o Criador que o resto da criação não possui. Dentro desta criação, o homem e a mulher serão aqueles que conduzirão o universo ao Criador.

Imagem do Filho

Jesus é a imagem do Deus invisível (Cl 1,1) Ele é o primeiro e nós o seguimos. Paulo escreve na carta aos Romanos: “Porque os que de antemão Ele conheceu, esses Ele também predestinou a serem conformes à imagem do seu Filho” (Rm 8,29).

Cristo restitui ao homem o esplendor da imagem divina danificada pelo pecado e faz dele o homem novo que, pela ressurreição dos mortos, terá a imagem do homem celeste.

Jesus é igual a nós humanos, traz também nossa, aquela que recebemos de Deus, para que cheguemos a ter a imagem perfeita do Pai que Ele possui (Col 1,15). Um dos aspectos da espiritualidade é justamente assumir e conservar esta imagem que possuímos, e respeitar o outro que também foi feito à imagem de Deus.

O outro, imagem de Deus

A razão do respeito ao homem e à mulher é por serem imagens de Deus. Ser imagem-ícone traz a idéia de união, como lemos em Provérbios: “O que oprime ao pobre insulta ao seu Criador” (Pr 14,31). Fomos colocados no mundo junto a outras pessoas.

A espiritualidade neste aspecto se faz através do respeito à imagem de Deus estampada em cada pessoa. Nossa espiritualidade será mais coerente e maior, na medida em que esta imagem for respeitada, amada e promovida. Não é fato social. É a dimensão espiritual que chega à realidade da vida. Espiritualidade que esquece este “por menor”, não tem consistência e, na verdade, não existe. Na formação da pessoa, é necessário chamar a atenção ao que ela é e o que são os outros. O amor que Jesus prega e se realiza no serviço fraterno, fundamenta-se no respeito à imagem de Deus que cada um possui.

Posted by admin On outubro - 28 - 2009 Homilias

CristoB20

Jesus transfigurou-se diante dos apóstolos Pedro, Tiago e João. “Seu rosto tornou-se brilhante como o sol e suas vestes brancas como a neve” (Mt 17,1-2).Visão tão bela que Pedro não agüentou e disse: “Como é bom estarmos aqui” (Mt 17,4).

Diante deste fato, somos instruídos de que seremos transfigurados um dia. Um dia! Tão distante!

Temos ouvido que vivemos o mistério de Jesus, isto é, sua vida, suas obras, sua Paixão, Ressurreição, Ascensão e Glória junto ao Pai. Continuamos distantes! Para nós, a religião é fazer algumas rezas, quando muito participar da missa e viver corretamente. Alguns se satisfazem apenas com um sentimento religioso.

Mas vamos abrir a cortina de nosso ser cristão e ver do lado oculto, aquele que vivemos em Deus…

O que acontece em nós do ponto de vista espiritual? Primeiramente não podemos separar a presença de Deus do nosso ser humano. Temos este lado brilhante, mas profundamente escuro. Cada um de nós sabe que Deus é o mais íntimo de meu íntimo. Ele está profundamente presente em nós. Paulo diz: “não sou eu quem vivo é Cristo quem vive em mim”(Gl 2,20).

Pedro na sua carta diz: “somos participantes da natureza divina” (2 Pd 1,4). Diz também Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e nós viremos a ele, e faremos nele morada” (Jo 14,23). Deus age em nós com sua energia divina. O que faz? Pelo seu Espírito deifica-nos. É uma terminologia que não estamos habituados a usar, mas é uma realidade profunda em nós: Lentamente vamos sendo transformados, transfigurados.

Não são nossas ações espirituais o que nos faz espirituais. Ao contrário, elas brotam de nosso ser espiritual, isto é, brotam como frutos de nosso interior onde Deus é vida. Se colaborarmos, esta vida cresce e se manifesta. Mas é Ele quem age. Deus opera maravilhas dentro em nós.

É preciso entrar na nuvem e, às apalpadelas, ir tocando esta presença atuante.

A vida espiritual não é o que fazemos, mas o que somos. O que somos? Templos vivos de Deus, morada de Deus, filhos amados. Como sei que estou crescendo nesta união com a Presença que há em mim? Isso é manifestado quando Deus começa a ser interessante para mim; Quando as coisas dEle me interessam e passam ser a minha ocupação; Quando me alegro com Ele. Quando vejo sua ação e presença por onde passo, seja numa pessoa, na natureza e ou nos acontecimentos.

A fé não é crer num punhado de verdades, mas “é saber-se amado…Amar a Deus não é um dever, mas um grito de reconhecimento, quando compreendemos que ele nos amou primeiro até o horror da cruz” (O. Clement, Alle fonti con i Padri).

A maior certeza desta presença é tomar a cruz e alegremente, mesmo na dor, seguir o Jesus até à Crucifixão, momento em que o Pai aceitou o ato de amor do Filho.

Não se preocupe de não enxergar nesta escuridão, pois os olhos da fé vêem no escuro.

Posted by admin On outubro - 28 - 2009 Paróquia em ação

Evangelizar

Ai de mim se eu não evangelizar

No século passado ocorreram profundas mudanças no mundo e na Igreja. O movimento bíblico e litúrgico, as tendências sociais, as mudanças na concepção de Igreja e de modo particular as diretivas do Vaticano II trouxeram um lugar novo para os leigos na Igreja. Se antes ela clerical, agora podemos dizer que, salvo em certos setores, há grande presença dos leigos. A definição de Igreja do Vaticano II parte da economia da salvação e não da estrutura hierárquica. Ouvi um comentário sobre um Papa que dizia que a Igreja eram o Papa, os bispos e padres mandando e o povo obedecendo. Mesmo não sendo verdade, era uma concepção subjacente. O leigo foi desenterrado, pois sempre existiu.

A Igreja é leiga na sua origem? Jesus não era da classe sacerdotal, pois em Israel, o sacerdócio vinha pela linha do sangue. Seu sacerdócio, único e eterno, provém de seu sacrifício na cruz e de sua ressurreição. Os discípulos também não eram dessa classe nem da classe mandante. Continuavam o ministério de Cristo, unidos a Ele em seu sacerdócio. O fato de a Igreja começar a se interessar pelo leigo do ponto de vista da evangelização, não é mais do que retornar às origens. Na pregação inicial da Igreja, os fiéis leigos foram evangelizadores juntamente com os apóstolos. Podemos ver isso quando os cristãos, fugidos de Jerusalém, começam a anunciar em Antioquia: “Aqueles, pois, que foram dispersos pela perseguição suscitada por causa de Estevão, foram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. Havia, porém, entre eles alguns cíprios e cirenenses, os quais, entrando em Antioquia, falaram também aos gregos, anunciando o Senhor Jesus” (Atos 11,19-20). Só então é que vai Barnabé da parte dos apóstolos.

A missão de evangelizar é própria também dos leigos: quando termina a missa, o celebrante diz: “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe”. Ide à missão, não somente retornem à vida cotidiana. Esta missão de evangelizar não é obrigação somente dos padres. Esta pregação se diversifica nas mais diversas modalidades: pode ser através da palavra, ou através do testemunho, ou da influência, da participação, ou da presença silenciosa ou da caridade de acordo com o que cada um ache melhor. Mas é preciso evangelizar conscientemente, pois fazemos parte da Igreja de Jesus. Nela entramos pelo Batismo. Pela Crisma recebemos a mesma unção do Espírito que Jesus recebeu. Esta unção dá-nos o múnus, a missão de anunciar a Palavra, celebrar o mistério da redenção e conduzir o mundo para Deus. Pela Eucaristia, depois de ouvir a Palavra e receber o Corpo do Senhor, somos indicamos à missão. Por isso Paulo vai dizer: “Ai de mim se eu não evangelizar” (1 Cor 9,16). Não evangelizar significa não ter ainda se deixado penetrar da pessoa, vida, morte e ressurreição de Jesus e de sua missão.

Quem não anuncia é porque não descobriu o Senhor. No mês das missões, tomemos consciência da evangelização que realizamos.

Posted by admin On outubro - 28 - 2009 Boas Notícias