.
Gosto muito mesmo da figura do apóstolo Pedro. Pessoa formidável. Corajoso e medroso, decidido e retraído. É bem a figura de muitos de nós: Topamos com firmeza impressionante, mas no primeiro obstáculo recuamos, às vezes.
Quando Jesus passou à beira do mar da Galiléia, lá estavam Pedro, André e João.
Ainda que de surpresa abandonaram tudo. Seguem ao som do chamado. Não sabem ainda muito bem quem Ele é, mas que misteriosamente os atrai.
Toparam a parada e seguiram a Jesus: “Deixaram imediatamente suas redes e o seguiram” (Mc 1,18). Interessante que não houve nenhuma oferta de bens, de benefício disto ou daquilo. E ainda largaram sua única segurança: O barco e as redes! O convite foi para que mudassem o jeito de pescar. Outro dia disseram-me: “Se eu fizer isto para a Comunidade, quanto que eu vou ganhar?” A primeira preocupação era com o benefício possível. Imagine o Big Brother: Quais os valores que nos apresenta? Nenhum, pois é verdadeiro lixo eletrônico, invadindo nossas casas. Você gosta dele? E passivos nós ficamos…
Pedro e os outros apóstolos simplesmente seguiram a Jesus. Trata-se, pois, de decisão diante do sublime convite para o seguimento de Jesus.
Jesus chamou homens rudes, simples, sem cultura, pobres pescadores, mas generosos na gratuidade. E Jesus foi trabalhando o coração de cada um deles. Foram tão transformados que se tornaram os maiores líderes da humanidade. E Pedro, impulsivo: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça” (Jo 13,9), ou retraído: “Não conheço este homem de quem falais” (Mc 14,71). Certo é que os apóstolos foram sendo amoldados pelo próprio Cristo, como o barro é amoldado nas mãos do oleiro. Deixaram-se seduzir pela verdade de Cristo, principalmente depois de sua ressurreição.
Por isso, Pedro, mesmo diante de tanta oposição ao seguidores Jesus, vai dizer cheio de coragem bem na porta do Templo de Jerusalém: “Ouro e prata eu não tenho, mas o que eu tenho eu te dou: Em nome de Jesus Cristo, levanta-te e anda!” (At 3,5-8). Aquele que foi “inconstante” é agora testemunha autêntica da ressurreição. É a coragem do amor, do testemunho, sem medo de dizer que ama e que tem fé.
Pedro tem muito a dizer para nós, também medrosos em dar testemunho fiel do Cristo em nossos dias. As atitudes de Pedro nos encorajam a viver a fé num mundo tão marcado por superficialidades, onde o relativo torna-se absoluto, a mentira é a verdade…
.
Autor: Manfersil


