O gesto sem alarde de Cristo naquela quinta-feira, no silêncio do cenáculo, firmou de uma vez por todas sua presença junto de nós. Naquele dia Ele instituiu a Eucaristia, em seu gesto sublime de entrega e de oblação: “Isto é meu Corpo: tomai e comei! Isto é meu Sangue: tomai e bebei!”.
Nós nos reportamos ao início da História da Salvação, quando tudo era silêncio e o Criador foi criando o céu e a terra, o sol e a lua, mares e rios, aves e animais, árvores e matas, homem e mulher à sua imagem e semelhança. Tudo era silêncio! Tudo era amor!
Chega a plenitude dos tempos, e a Palavra se encarnou: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Ele nos enviou seu Filho único” (Gl 4,4). Agora não há mais por quê duvidar da verdade do amor. Sua Palavra ressoa por toda a parte, e seu amor penetra o céu, a terra e o âmago mais profundo de cada ser humano. Fez de seu amor presença viva, real, concreta, sem falsidade e sem rodeios.
Naquela quinta-feira, que chamamos santa, e o é na verdade, fizeram-se presentes: silêncio, voz, Palavra e presença! Era a nova criação. Era a Eucaristia. Era Jesus mesmo no pão e no vinho! Era festa de amor, sem alarde, sem fantasia! Era Ele mesmo o pão repartido!
Nessa presença viva e real de Cristo cresce e se edifica toda pessoa e cada Comunidade cristã. É Aliança que se estabelece entre Deus e os que crêem e participam do corpo e sangue de Jesus.
Corpus Christi que arrebata multidões pelas ruas e praças, é povo de Deus peregrino com Ele que “está no meio de nós”. Os que amam e crêem reconhecem sua presença. Os racionalistas não se deixam tocar pela verdade da fé. Preferem acreditar no que lhes dita a razão. Os simples são os que sabem que não são perfeitos e buscam, por isso, a comunhão plena com Cristo.
A festa de Corpus Christi vem nos lembrar que em Comunidade celebramos essa festa de amor, festa da Aliança. E o Cristo espera dos que comungam seu Corpo e seu Sangue que, pelo menos, saibam oferecer um copo d’água ao irmão, com amor, com muito amor. Todas as coisas de Deus não são tomadas, mas recebidas. A festa de Corpus Christi deve, pois, nascer dentro de nós. É festa de amor, mas de amor doado e oferecido!
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Autor: Manfersil


